Documentário dirigido por Renato Barbieri e produzido pelo Pólo de Cinema e Vídeo do DF, mostrando a diáspora negra - o tráfico negreiro entre África e América, que espalhou o povo negro pelo continente.
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A procura de uma raiz cultural
No Brasil colonial, e até pela configuração do processo escravagista, foi inevitável o encontro das culturas nativas. Os negros que fugiam das fazendas para os quilombos se aliavam aos índios e criavam novos laços sociais, familiares e culturais. Com isso, diversos cultos ancestrais trazidos pelos negros foram se misturando com os cultos indígenas.
Dessa mistura surgiram outras formas de culto, que no século IXX eram chamados de makumba. Após a abolição, quando diversos grupos de nações começaram a procurar sua identidade, dividiram-se os principais, aparecendo: Candomblé de Angola, Candomblé de Congo, Candomblé de Caboclo, ou Encantados, entre outros. Todos eles à procura de uma raiz cultural. Foi no final deste século que surgiu a makumba urbana, onde se tinha a participação em massa de brancos pobres e descendentes de escravos.
Pela primeira vez se ouve falar em Mbanda e Kimbanda. Um tipo de culto influenciado pelo sincretismo católico, mas com profundas raízes culturais. Nesta época, a preocupação era em relação à aceitação. As perseguições eram constantes, tanto por parte da sociedade como pela própria polícia.
Durante estes anos a Kimbanda permaneceu escondida por razões óbvias. Enquanto a Umbanda foi adotada pela “classe média”, a Kimbanda permaneceu nas periferias, muitas vezes “camuflada”, e somente uns poucos tinham acesso. O sincretismo forçou esta “resignação” dos quimbandeiros, enquanto os orixás e nkisses vinham sendo sincretizados com santos católicos, os espíritos da Kimbanda se identificavam melhor com “demônios”. […]
- Makumba – originalmente a madeira utilizada para fabricar um tipo de instrumento primitivo, batizado com o mesmo nome. Mais tarde esta palavra seria usada pra designar os cultos que faziam uso destes istrumentos em seu ritual.
- Mbanda – do kimbundo, significa curandeirismo, bruxaria, feitiçaria. Alguns autores traduzem como “a arte da cura”, ou “conhecimento das ervas”.
- Makumba Urbana – fenômeno sócio-religioso e popular do final do séc. IXX.
Aline Calixto - Tudo o que sou.
“É preciso viver pra saber separar, o que é que se pode dizer, do que é preciso calar!”
Kimbanda: fatores históricos
Na tradição cultural banto, ki-mbanda é o curandeiro. Supremo ocultista que possui uma gama de poderes, compreendido muitas vezes como médico, exorcista, feiticeiro, adivinho, benzedeiro, mago, necromante, entre outros atributos, além de líder espiritual, é também um líder político, guardião e defensor daquelas tribos.
A religião tradicional dos kimbandas – kimbangismo – já existia muito antes da chegada dos europeus na África. Quando o rei Manikongo se converteu ao cristianismo [1491] a maioria da população se opôs à nova religião adotada, dando início a guerra civil. Os focos de revolta foram liderados pelos reis [feiticeiros] que não aceitavam as leis portuguesas, nem a religião destes, ou que seus antepassados fossem taxados de “diabos”.
Após a guerra muitos líderes capturados foram trazidos para o Brasil como escravos. Vira-se uma nova página na história.
Nota:
- Bantos – Grupos étnicos do centro-sul da África, tais como os de Congo, Angola e Uganda.
- Kimbangismo – Referente às práticas de feitiçaria dos ki-mbandas.
- Manikongo – Rei do Congo.